Pesquisa aponta impactos da saúde nos relacionamentos

Levantamento do happn e do movimento Vem Falar de Vida mostra que muitos ainda não incentivam as mulheres ao diagnóstico precoce do câncer de mama

Uma pesquisa realizada pelo app de paquera happn e o movimento Vem Falar de Vida também mostra que muitos ainda não encorajam as mulheres ao diagnóstico precoce do câncer da mama

Em Outubro, o mundo inteiro une-se por uma boa causa: a sensibilização para a luta contra o câncer da mama, um problema de saúde pública que aflige milhões de mulheres de todas as idades. O mês foi até batizado de Outubro Rosa. E como iniciativa educativa para marcar a data, o aplicativo internacional de paquera happn, em parceria com o movimento Vem Falar de Vida, concebido pela empresa farmacêutica Roche, realizou uma pesquisa com 1600 usuários brasileiros de ambos os sexos sobre saúde e relações, incluindo o câncer da mama. Os resultados mostram que 71% das pessoas entrevistadas consideram que tópicos de saúde mental e física devem ser discutidos com o Crush, mesmo que ainda não estejam numa relação séria, e 78,5% acreditam que a intimidade de um casal pode ser afetada por algum problema de saúde.

Apesar disso, quando perguntados se encorajavam as mulheres de suas vidas (mães, irmãs, amigas) a fazer os seus exames periódicos, menos de metade disse sim, independentemente da época do ano (48%) e uma parcela afirmou que sim, especialmente em Outubro (11%), enquanto quase um terço confessou que não se lembrava de o fazer (30%) e 11% disse simplesmente que não as encorajava.

Segundo a psicóloga Marcia Parga, especialista em psico-oncologia, ficou demonstrado que existe uma preocupação com a saúde, inclusive no contexto das relações, mas que ainda não se traduz em atitudes concretas. Perguntados se o câncer da mama pode ser um impedimento para iniciar uma relação com alguém, quase 10% responderam claramente que sim, 28% disseram que é difícil saber até estarem na situação e a maioria (62%) garantiu que não. Esta última taxa aumenta quando a questão é se a doença seria um impedimento à continuação de uma relação (76%), em comparação com 7% que disseram sim e 17% que responderam talvez.

“Muitas vezes as pessoas respondem o que se espera delas, no campo da idealização, por isso é importante confrontar com o comportamento em si, como no caso da pergunta sobre quem, na prática, incentivou as mulheres ao autocuidado”, comenta Marcia Parga. Para a psicóloga, a pesquisa retrata o aspecto contraditório do ser humano com temas da modernidade que precisam ser trabalhados internamente, como a sua relação com a própria saúde e com o cuidar do outro. “Precisamos investir na tomada de consciência para formar uma rede de apoio voltada à prevenção, para além do Outubro Rosa, pois o câncer de mama é um tema relevante o ano todo”, sugere.

Se diagnosticado precocemente, o câncer de mama tem até 95% de chances de cura. Somado a isso, graças aos avanços da medicina, hoje, todos os tipos de câncer de mama são tratáveis. Na jornada da paciente, é essencial que se identifique o subtipo exato do câncer para que se inicie o tratamento correto, no momento mais adequado. 

Para as mulheres já diagnosticadas com a doença, o acolhimento de uma rede de apoio formada por quem divide os momentos com elas, sobretudo o suporte do parceiro amoroso, pode fazer a diferença nesse processo. Essas pessoas muitas vezes precisam também aceitar suas próprias emoções, como medo e raiva, para se fortalecer e apoiar. “Seja no cuidado do dia a dia, em que a prevenção do câncer de mama precisa realmente fazer parte da vida e dos relacionamentos, seja na jornada das pacientes, essa rede de apoio precisa ser efetiva. Aí sim estamos falando de compaixão e empatia reais”, conclui a especialista.