Saúde da Mulher

Apoio psicológico para pacientes

Sua mente pode ser o catalisador da cura. Por isso, cuidados psicológicos são muito importantes.

O suporte psicológico durante as fases do tratamento do câncer de mama é tão importante quanto a medicação, uma vez que o impacto do diagnóstico da doença causa uma significativa repercussão na vida da paciente.

O câncer de mama traz consigo o temor da retirada de uma parte do corpo da mulher que, em muitas culturas, engloba muitos aspectos e significados: estética, fantasias e intimidade. Aceitar sua nova condição e adaptar-se à nova imagem corporal exige um esforço grande para o qual, muitas vezes, a mulher não está preparada e, por isso, ela precisa de um apoio de alguém que esteja próximo e seja confiável.

O suporte psíquico traz conhecimento e compreensão, podendo até mudar a resposta ao tratamento terapêutico. Por isso, é importante que haja um acompanhamento psicológico, multidisciplinar e especializado, que sirva como um apoio à paciente, restabelecendo sua saúde em um sentido mais amplo que apenas a cura do câncer.

Ao receber o diagnóstico, todo o processo é vivido pela paciente e seus familiares como um momento de angústia. A atuação do profissional de Psicologia nesse momento deve ser vista como uma forma de tratamento e iniciada logo após a descoberta do câncer e a definição da conduta terapêutica oncológica.

Atendimento em família

A participação e entendimento da família no processo é essencial para empatia ao paciente.

Em um primeiro momento, a avaliação deve ser individual, para que haja um entendimento do psicólogo sobre a situação e para que entenda, detalhadamente, as angústias e incertezas da mulher.

Os familiares podem ser atendidos em um segundo momento, a fim de estreitar essa rede de apoio, de forma que a paciente se sinta acolhida e aceite essa fase de vida com mais calma e resiliência.

O apoio psicológico é essencial e diretamente ligado ao aspecto emocional, pois ajuda a paciente a enfrentar e vencer sintomas depressivos que ocorrem no diagnóstico e no tratamento da doença. Por isso, o tratamento do câncer de mama é um trabalho em equipe: não só do médico, mas do psicólogo, da assistente social e do terapeuta ocupacional, entre outros profissionais.

A relação com o companheiro

Apoio psicológico para o companheiro também ajuda na estabilização da família.

Embora seja uma situação de dificuldade e aceitação também para o companheiro, seu suporte nesse momento é muito importante.

A mulher, na maioria das vezes, apresenta um isolamento que a torna fria e distante. Muitas vezes, recusa-se a ter relações sexuais, por acreditar que não é mais atraente para o companheiro. Por outro lado, o homem se assusta com a deformação do corpo da mulher e fica com medo de que seu toque possa machucá-la.

O apoio psicológico é importante para os dois, de forma a trabalhar essa situação para ambos. O amadurecimento, cumplicidade e confiança entre o casal também são um fator de peso para a condução psicoterapêutica do problema.

Diga ‘não à solidão’

Cada vez mais a medicina vê como necessário o acompanhamento psicológico dos pacientes.

Os sentimentos que surgem frente ao adoecimento podem causar um grande estresse. Saiba que você não está só. Os grupos de apoio podem ajudar muito, não só você, mas também seus familiares.

Passado o impacto inicial da notícia de um diagnóstico de câncer de mama, é fundamental que a paciente saiba que não está só, que há muitas fontes de ajuda para tratar uma ferida que não é apenas física, mas também psicológica, para então se juntar a um grupo cada vez mais numeroso de mulheres que venceu essa guerra: o das vitoriosas. É importante ressaltar que essa vitória é resultado de várias ações conjuntas, e o seu emocional deve ser cuidado tanto quanto o seu físico.

Cada vez mais a medicina vê como necessário o acompanhamento psicológico dos pacientes em tratamento. Com o câncer de mama não é diferente. Em grande parte dos hospitais, existe hoje a orientação de profissionais especializados que podem oferecer esse suporte à paciente e à família, e há também os grupos de apoio.

Para Leoni Margarida Simm, que, além de paciente, é a presidente da Associação Brasileira de Portadores de Câncer – Amucc, de Florianópolis, Santa Catarina, o apoio psicológico é fundamental para dar suporte à mulher que recebe um diagnóstico de câncer e deve ser estendido ao longo do tratamento. “O impacto que essa doença gera sobre a pessoa provoca um estresse tanto físico como psicológico, o que vai afetar seu sistema imunológico”, explica Leoni. “É importante que a pessoa se sinta apta e serena para enfrentar um tratamento que, pela sua natureza, é bastante agressivo e assustador.”

Sônia Cavour, coordenadora da Unamama, concorda. “A notícia é sempre impactante, a possibilidade de risco de vida ameaçada tira o ser humano do equilíbrio, tornando o atendimento psicológico uma necessidade”, explica.

Quando estamos vivenciando um problema que ainda nos é estranho, a melhor saída é conversar com quem está passando ou já passou por aquilo. É isso que ocorre quando você participa de um grupo de apoio. Além de ser acolhida por profissionais da área, é recebida por pessoas que estão na mesma situação, pode aprender com elas e também ensiná-las.

No Grupo de Apoio e Autoajuda para Pacientes de Câncer, o Gaapac, de Recife, em ação há 17 anos, primeiramente é realizada uma entrevista para que eles saibam mais sobre você e conheçam o estágio da doença. Nessa conversa inicial, são expostas as regras de convivência do grupo. “Isso é muito importante porque o que se fala aqui são intimidades, coisas pessoais, fala-se sobre a vida”, explica a advogada Maria Regina de Melo. “É necessário certo sigilo e ética para tratar com elas”, explica.

Quando chega ao grupo, os pacientes participam de reuniões semanais de compartilhamento e são convidados a deixarem a vida lá fora, para conviverem com eles mesmos. “Depois da introspecção, sugerimos que falem de seus medos, suas dores e dúvidas”, explica a advogada. “São vários estágios e, passo a passo, eles têm ideia da caminhada dali para frente”, diz Maria Regina.

“O ser humano não é só o físico, é também o espírito e o emocional”, fala a enfermeira Madalena Andrade, diretora de pacientes do Gaapac. “E é a busca desse equilíbrio entre o físico e o emocional que almejamos no grupo”, esclarece. “Estou há 17 anos no Gaapac, cheguei como paciente de um câncer de ovário, e até hoje aprendo, aprendo e aprendo”, relata.

Fonte
Fragata C. Não à solidão. Grupo de Apoio e Prevenção ao Câncer de Mama de Viamão (Viamama). Consultado em 07 de outubro de 2014. Disponível em http://www.viamama.com.br/cuidadores.htm

Outro ponto fundamental nos grupos de apoio é a participação dos companheiros e da família, que podem aprender a lidar com a nova situação e até mesmo a se comunicar. “Às vezes o familiar não tem condições de ouvir o que o paciente quer dizer”, explica Nilse Balta, assistente social, vice-diretora de pacientes do Gaapac. “É uma pessoa sua, alguém que você ama, tem medo de perder e não quer nem que o paciente fale sobre aquilo que está acontecendo com ele.”

Aliete Calado, diretora-secretária do Gaapac, reitera. “A família, no gostar, no proteger, pode dizer: ‘não vamos falar sobre isso, você vai ficar boa’, e isso tira o foco da paciente que, na verdade, queria dividir, falar, chorar junto.” Portanto, o medo da perda pode atrapalhar essa relação, por isso a participação nos grupos de apoio deve ser estendida também à família. Sônia Cavour, da Unamama, concorda. “Compartilhar alegrias é sempre saudável. No caso das tristezas, torna-se essencial dividi-las para que o sentimento de ‘estar sozinho’ se dilua no grupo que vive o mesmo momento da vida”, esclarece a coordenadora.

Então, não se intimide! Busque o apoio necessário e convide seu companheiro, seus familiares e amigos próximos a participarem com você do grupo de apoio. Isso não é vergonha para ninguém e pode ajudá-la muito a percorrer o caminho do tratamento até a cura, além, é claro, de melhorar a sua qualidade de vida.

E fica um recado de Madalena Andrade, do Gaapac, para todas as mulheres: “para as que não tiveram câncer, cuidem-se para não adoecerem. Para as que tiveram ou têm, lembre-se que câncer não é vacina, ele não imuniza, portanto, cuide de você, da sua qualidade de vida e viva cada momento do seu dia de hoje”.

O apoio começa com seu médico

Uma conversa franca com seu médico vai clarear um pouco essa confusão inicial.

O suporte psicológico é muito importante na batalha contra o câncer. Não deixe de conversar com seu médico para sanar todas as suas dúvidas e, caso seja possível, busque ajuda de um psico-oncologista.

Frente ao diagnóstico positivo de câncer é absolutamente normal e compreensível que a paciente seja acometida por um turbilhão de sentimentos confusos. Medo, revolta, incertezas e muitas perguntas sem respostas. As reações são as mais variadas.

“Não há uma reação padrão, varia de negação – ‘não é possível, você tem certeza? pode repetir o exame?’ – a indiferença, como se o que está sendo falado não fosse sobre a pessoa que ouve”, diz a mastologista Fabiana Makdissi, do Hospital Sírio Libanês. “Mas acredito que a reação mais frequente seja o silêncio seguido de choro, normalmente reprimido. Isso é preocupante, pois a partir daí não se sabe mais o que a paciente realmente ouve nem ‘como’ ela ouve, ou seja, como absorve as orientações”, explica a médica.

A notícia pode parecer terrível, mas nesse momento é preciso ter calma, na medida do possível. Ouça seu médico e tire todas as suas dúvidas sobre o que tem, qual o tratamento mais adequado e quais os passos a serem seguidos. Além de cuidar da sua saúde, você tem de estar atenta também ao seu lado emocional.

O medo, a ansiedade e as inevitáveis perguntas – “Quem vai cuidar da casa, dos filhos, do marido, do trabalho? O que vai acontecer comigo? Vou perder a mama? Vou perder o cabelo? Quem vai me acompanhar, cuidar de mim? E minha família?” – podem nos afastar do que é mais importante: o tratamento. Procure ficar firme para entender o que está acontecendo, mas lembre-se de que você precisa de muito apoio e tem direito a todas as informações e orientações necessárias.

A princípio, uma conversa franca com seu médico vai clarear um pouco essa confusão inicial. Feito isso, você pode ter uma opção viável e muito indicada: procurar os profissionais disponíveis em grande parte dos hospitais que podem orientá-la e ajudá-la nessa empreitada. São psicólogos e psiquiatras especializados em oncologia. Portanto, não se intimide, isso não é um sinal de fraqueza – muito pelo contrário – e eles não são indicados para quem está “louco” ou “vai mal das ideias”.

É preciso desmitificar esse conceito, ouvir o que esses profissionais têm a dizer e saber como podem te apoiar. Daniela Achette, psicóloga do Hospital Sírio-Libanês, esclarece: “O suporte psicológico não significa um processo longo de psicoterapia e sim uma atividade que tem como objetivo trabalhar a adaptação ao tratamento e suas consequências”.

Mas qual é o melhor momento de procurar essa orientação? Não existe hora certa, cada paciente age de uma forma. Existem reações de revolta, medo e até mesmo introspecção. “As necessidades são peculiares, entretanto comuns no momento do diagnóstico, e é importante que o psico-oncologista apresente uma postura de continência que possibilite à paciente expressar seus medos e fantasias. Com isso, conceitos errôneos sobre os tratamentos e o prognóstico oncológicos possam ser trabalhados”, diz Achette. “Cada paciente é única, e orientações sobre seu quadro e os tratamentos indicados podem facilitar no processo de escolha deles”, explica.

 

Fonte
Fragata C. Não à solidão. Grupo de Apoio e Prevenção ao Câncer de Mama de Viamão (Viamama). Consultado em 07 de outubro de 2014. Disponível em http://www.viamama.com.br/cuidadores.htm